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Entrevista: Dr. José Martins Filho fala sobre o desafio de educar os filhos0 comentário

Entrevista

Publicado em 05/07/2017 01:01

 

 “Quem cuidará das crianças? A difícil tarefa de educar os filhos hoje”. Com esse tema o médico pediatra e neonatologista, presidente da Academia Brasileira de Pediatria e autor de vários livros consagrados como “Cuidado, afeto e limites – uma combinação possível”, José Martins Filho, participou da II Conferência Internacional Sobre o Bem Estar Infantil (Cisbei) no último dia 1º, em Goiânia. O evento foi realizado pela Organização De Umbiguinho a Umbigão.

 

Com cerca de 50 anos de experiência, dr. Martins Filho, como é conhecido, afirma que o maior desafio na criação dos filhos atualmente é o curto período de licença-maternidade, que obriga a mulher a voltar ao trabalho ainda com um bebê nos braços. A situação pode fazer com que se sinta culpada – vale ressaltar que a culpa é uma grande companheira da maternidade, em vários aspectos. Segundo o especialista, a mãe é a última pessoa que deveria sentir culpa na sociedade em que vivemos. Pelo contrário, ela deve receber cuidados e atenção para que consiga obter sucesso na amamentação e cuidar bem do filho em um período em que ele é completamente dependente.

 

Ao discorrer sobre as dificuldades na criação de filhos, o especialista traz profundas e importantes reflexões. Ele destaca que educar realmente dá trabalho. E dá um recado aos pais: Se não estiver dando trabalho é porque você não está educando. Confira mais sobre o assunto na entrevista concedida ao Arroz de Fyesta.


Confira na íntegra




Tatiana Cruvinel- Quais são os maiores desafios na criação de filhos atualmente?

José Martins Filho- Vou te falar uma coisa muito séria e muito objetiva. O grande problema hoje é que a gente tem uma licença-maternidade muito pequena. As mães querem ficar com seus filhos, mas não podem porque precisam trabalhar. E às vezes até se sentem culpadas por causa disso, o que é um crime. Porque a culpa não é das mães. A culpa é de uma estrutura que obriga a mulher às vezes a ficar dividida entre a sua profissão e o seu filho. Esse é um desafio, que nós estamos lutando muito ao nível do Senado, ao nível da Câmara dos Deputados, com os políticos, para ver se eles param um pouquinho para pensar na infância e na criança, que é o futuro da humanidade, é o futuro do nosso País. Esse é um grande desafio. O segundo desafio também é a formação médica e do pessoal de Saúde pra entender a importância de ajudar as mães a amamentar e ajudar as mães a não terem culpa quando não conseguem, porque a culpa não é delas. É de uma sociedade, de uma estrutura muito complicada. E a outra coisa que sempre digo para as pessoas é que a qualidade, o afeto, o amor e o carinho, a atenção, o beijo, são fundamentais no desenvolvimento cerebral.


Como ajudar as mulheres a não se sentirem culpadas na maternidade?

A gente precisa ajudar as mulheres, e não culpá-las. Não adianta você criticar a mãe se ela precisa trabalhar. É evidente. Alguns grupos de mulheres às vezes não despertam para essa situação, às vezes realmente não percebem a importância do contato. Mas a imensa maioria das mulheres não pode às vezes ficar com o filho porque precisa trabalhar. Precisa pagar as contas, ajudar a família, né? E aí nós temos que achar uma saída que é a ampliação da licença-maternidade. Minha luta é pra levar a licença-maternidade pra um ano e a paternidade para um mês.


Como melhorar a qualidade do tempo em que está com o filho, principalmente para a mãe que está no mercado de trabalho?

Fazer o possível pra ficar juntos, fazer o possível para as refeições serem juntos, beijar os filhos, dar certeza, quando eles estão doentes arrumar um atestado e levar os filhos ao médico. Não terceirizar, um livro meu "A Criança Terceirizada". Quando você bota o seu filho pra ser cuidado por outra pessoa você está abrindo mão da relação pessoal. Então é lutar muito por isso.


Como impor limites de maneira afetuosa?

Eu acho que você tem que ser firme, e não rígido. Você tem que ser afetuoso sem gritar, sem berrar, sem brigar, sem bater, sem fazer agressão. Mas você tem que ser coerente e sobretudo é muito importante que pai e mãe tenham ideias parecidas. Quando um pai é muito largado e a mãe é muito exigente, ou vice-versa, essa criança sofre. Porque ela nunca sabe como é que lida. As crianças têm que ser atendidas por alguém com coerência e com uma visão.


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