Entrevista: Carolina Jabor e Daniel de Oliveira

07/02/2018 | 0 comentários
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O tema do filme, que envolve a vida de uma pessoa após uma viralização em grupos e redes sociais, é muito atual. Você, inclusive como pessoa pública, também está sujeito à exposição. Como você lidou com a construção do personagem?

Daniel de Oliveira- A gente teve muita aventura. Primeira coisa foi ler a peça, né? Mesmo original, do espanhol. Depois veio a adaptação do roteiro, do Lucas Paraízo. E então, esse, igual eu falei ali, foi mais ou menos um processo quase teatral, de mesa, mesmo, então eu construí a partir dos diálogos que eu tinha com a Carol mesmo. Não teve preparação fora, por exemplo. A gente ia pra lá, chegava de manhã cedo e ficava até à noite, lendo, discutindo, pensando nas possibilidades, nas cenas, pegando cenas individuais, assim, né? Trabalhando só com dois atores, às vezes três, às vezes sozinho e ela ia falando coisas e eu ia descobrindo coisas também. Foi bastante intenso nesse sentido.

Quais são os seus projetos para 2018?

Daniel de Oliveira- 2018 lançando "Aos teus olhos", né? Tem o "10 segundos" também que vem, que é a história do Éder Jofre, que eu fiz o Éder Jofre nos cinemas, e também tem um filme de terror chamado "Morto não fala". O "10 segundos" é do José Alvarenga e o "Morto não fala" é do Dennison Ramalho, coprodução da Casa de Cinema, lá do sul, do Jorge Furtado e a Nora. Então tem esses três filmes aí e eu estou concentrando no meu projeto pessoal, que é o "Cine Música Particular", que é um projeto de música e que, se Deus quiser, eu vou apresentar aqui em Goiânia.

Como foi para você dirigir um filme que aborda a questão do ódio nas redes sociais, depois de ter vivido a experiência das críticas sofridas pelo seu pai (Arnaldo Jabor)?

Carolina Jabor- Essa fase, quando eu comecei a procurar um novo roteiro para fazer, para escrever, um assunto que me interessasse, eu comecei a ler peças e eu li essa peça espanhola, que é uma peça onde a pessoa é condenada antes de ser julgada. E na paralela o meu pai estava sendo julgado, estava sendo linchado na internet por um comentário que ele fez que, no momento que ele fez o comentário, todo o movimento de junho de 2013 não tinha acontecido ainda, era muito no princípio, mas ele fez um comentário, que depois ele fez um mea culpa, viu que não deveria ter feito, mas não importa. Importa é que deturparam na internet, nas redes, e ele foi muito criticado, chamado da fascista. Eu fiquei muito louca com isso, porque se tem alguma coisa que meu pai não é, é fascista. De forma alguma, ele tem profundo conhecimento do Brasil e é um homem muito corajoso, que dá a sua opinião sobre coisas, sobre governo, sobre o PT e, enfim, ele foi muito massacrado de fato. Eu tive que defendê-lo nas redes, assim, amigos meus chamando meu pai de fascista, então eu realmente fui bem impactada com isso, então acho que juntou, foi na mesma época. Eu falei: "cara, então, olha isso aí", então juntamos as ideias.

O que o público pode esperar do filme?

Carolina Jabor- Olha, é um filme que trata de um assunto que a gente tem que refletir mais hoje em dia, eu acho. É um filme com tema muito contemporâneo, um tema que está em discussão, a gente está discutindo sobre o poder das redes sociais, o impacto que ela tem na vida das pessoas e como são esses comentários, né, como são. Postar é uma coisa tão séria, você tem que pensar duas vezes antes de incriminar uma pessoa pelas redes sociais.

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