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Entrevista: Malvino Salvador fala sobre 'Boca de Ouro'0 comentário

Entrevista

Publicado em 01/06/2018 22:35

 

Foto: Globo/João Miguel Júnior

Malvino Salvador, Mel Lisboa, Cláudio Fontana e grande elenco apresentarão em Goiânia a peça "Boca de Ouro". Com texto escrito por Nelson Rodrigues, em 1959, e a direção do Gabriel Villela, o espetáculo poderá ser visto no sábado, às 21 horas, e no domingo, às 20 horas, no Teatro Madre Esperança Garrido. Os ingressos custam de R$35,00 a R$100,00, dependendo do lugar escolhido. Eles podem ser comprados pelo site Compre Ingressos, Call Center (4052-0016) e Komiketo da T-4.

 

Boca de Ouro é um lendário bicheiro carioca, figura temida e megalomaníaca, que tem o apelido porque trocou todos os dentes por uma dentadura de ouro. Também é conhecido como o Drácula de Madureira. Quando Boca é assassinado, seu passado é vasculhado por um repórter. Sua fonte é dona Guigui, a volúvel ex-amante do contraventor, uma mulher que, ao longo da peça, revela diferentes versões do bicheiro. Clique aqui para saber mais sobre a peça.

 

Conversamos por WhatsApp com Malvino Salvador sobre a atualidade do espetáculo, sobre o processo de seleção de personagens, sobre o "Motoqueiro Vermelho" da novela "Orgulho e Paixão" e sobre o projeto de abrir uma academia de "jiu-jitsu" no Rio, com a esposa Kyra Gracie. Aperte o play e escute!


Confira na íntegra




Você esteve aqui em Goiânia em outubro de 2015, com Chuva Constante, texto que havia feito sucesso na Broadway. Agora será a vez de Boca de Ouro, escrito por Nelson Rodrigues. Conte pra gente como você seleciona os seus personagens.

Como eu seleciono os meus personagens, né? Você mencionou que eu estive com Chuva Constante aí, mas antes disso, o meu primeiro personagem, na verdade, o meu primeiro trabalho como ator foi "Blue Jeans", uma peça escrita por Zeno Wilde, uma peça que havia sido, inclusive, na primeira montagem, ela foi premiada. Dessa vez, eu fiz a terceira montagem, já numa versão musical, dirigida pelo Wolf Maya. Foi muito importante na minha carreira, por ter sido o que impulsionou toda a minha energia de começar a estudar, de fato. Eu tinha, há pouco tempo, chegado em São Paulo, isso foi em 2001, eu sou manauara, de Manaus, fui pra São Paulo e fazia seis meses que eu estava lá, eu fiz o teste para essa peça e entrei no elenco. Para mim foi uma coisa bem emblemática, assim, foi libertadora, porque eu descobri o que eu gostava de fazer realmente na vida. Então eu comecei a estudar bastante e focar muito na profissão. Depois eu fui fazer novela, na Globo e acabei sendo contratado, ficando, fazendo uma novela atrás da outra. Só que a minha vontade sempre foi continuar fazendo teatro, por isso, então, eu produzi uma peça de teatro, chama-se "Mente, Mentira", uma peça do Sam Shepard, onde eu também estava no elenco. Consegui reunir um elenco maravilhoso, convidei o Paulo de Moraes, que é o diretor do Armazém Companhia de Teatro, e foi uma peça incrível! Depois acabou aparecendo a oportunidade de fazer "Chuva Constante", no intervalo de duas novelas também, eu consegui esse tempinho e, novamente, convidei o Paulo de Moraes. Foi nesta ocasião que eu estive aí. E agora, eu estou fazendo "Boca de Ouro", então eu sempre quis estar envolvido com projetos bacanas, que pudessem me acrescentar, principalmente no teatro, mas isso também na televisão e no cinema, mas no teatro eu tenho um pouco mais de controle sobre essas escolhas. Então, eu agora estou com "Boca de Ouro", que é um personagem que, novamente, na trajetória da minha carreira, ele vem estabelecendo assim, um novo momento, foi uma nova oportunidade poder fazer esse clássico do Nelson Rodrigues. É um dos personagens mais emblemáticos criados pelo Nelson Rodrigues. O "Boca de Ouro", que é um personagem que aparece em três versões, isso me dá a oportunidade de fazer um trabalho diferenciado, de composição, porque na primeira versão, ele aparece retratado de um jeito. Na segunda, de outro e, na terceira, diferente também. Isso é tudo trabalhado numa expressão corporal diferente para cada personagem, os figurinos mudam e a oportunidade de trabalhar, novamente, com uma turma, com um elenco incrível. Nós temos atores premiadíssimos, que fazem parte do elenco, e a direção do Gabriel Villela, que me trouxe um novo olhar sobre como estar no palco, sabe? A narrativa que ele cria, como ele conduz tudo e as peculiares presentes na personalidade que dele, que ele imprime como um encenador, acrescentam ao texto do Nelson Rodrigues e dão uma dinâmica em que eu nunca tinha experimentado. Para mim foi muito, me trouxe um crescimento incrível mesmo, sabe?


O texto é de 1959, mas podemos dizer que continua muito atual, certo?

O texto do Nelson Rodrigues foi escrito em 1959, mas ele é completamente atual. Atual por alguns motivos. Primeiro, porque ele fala sobre pessoas, sobre as emoções, sobre como as pessoas lidam com os outros, as relações entre as pessoas. Ele retrata muito bem o cotidiano do subúrbio carioca e, por incrível que pareça, muita dessa estrutura dessas famílias ainda continua muito presente no subúrbio carioca, ainda hoje, e também brasileiro, de um modo geral. Um subúrbio classe média, que faça relação com a classe média. Não só isso, ele apresenta um personagem que é um contraventor e a gente vê esses personagens aí ainda hoje, muito presentes na sociedade. E, além disso, ele fala sobre notícia, a origem da notícia. Ele, que foi um jornalista, que viveu esse ambiente jornalístico, e, como excelente contador de história, conseguiu retratar muito bem como a notícia, e, genialmente, na verdade. Ele, em 1959, ele escreve uma história onde dá três versões de um mesmo fato, a partir do humor de uma outra personagem, que a dona "Guigui", ex-amante do "Boca de Ouro", que tinha sido abandonada por ele, que conta uma primeira versão, por ter se sentido rejeitada. Depois, quando descobre que o "Boca de Ouro" morreu ela suaviza, diz que não é bem assim e conta uma segunda versão. E depois, para se reconciliar com o marido, conta uma terceira versão. Isso é fantástico, né? Isso é de uma criatividade, é uma inventividade para mostrar que a mensagem que fica é que a gente precisa, como consumidor de notícia, precisa estar muito ciente de onde vem essa notícia, quem as fabrica, quem as formula e no tempo de hoje, ainda, com a internet, aí, a gente vê as "fake news" aparecendo o tempo inteiro e percebe que, muitas vezes, é tanta veracidade da notícia, quem consegue disseminá-las. Uma notícia pode ser falsa e se tornar uma falsa verdade. Então, e, mais uma coisa, a peça tem uma mensagem muito positiva, que é mostrar que o crime não compensa. Ela coloca o "Boca de Ouro" numa trajetória de nascimento e morte, onde um cara que nasceu no submundo, que teve uma origem abjeta, como Nelson Rodrigues gostava de falar, teve uma origem abjeta e quer o poder absoluto. Quando troca todos os dentes e coloca tudo de ouro, quer construir um caixão de ouro e só depois disso ele pode morrer. Ele cria para si próprio essa trajetória mítica, em busca de poder absoluto e quando ele consegue alcançar o poder absoluto é quando tem a queda dele, é quando ele morre. Isso, normalmente, você espelha isso na vida de muitos jovens brasileiros, que nascem na favela e só veem uma oportunidade no crime e acabam morrendo muito novos, muitas vezes, por conta disso. Então ele mostra, dá, não uma lição de moral, mas uma mensagem positiva para quem assiste.


Além de viajar com a peça, você também está gravando a novela "Orgulho e Paixão". Como tem feito para conciliar toda a rotina profissional com a rotina do pai de família? E o Coronel Brandão, o "Motoqueiro Vermelho", como tem sido a experiência de dar vida ao herói romântico?

Como você disse, é uma correria danada, porque gravar a novela, as gravações estão sendo concentradas sempre no meio da semana, para dar conta de ser liberado para, no fim de semana, viajar com Boca de Ouro, mas dá pra conciliar. Quando eu estou em casa, eu também estou muito presente com a minha família. Consigo conciliar tudo, mas é aquela coisa, não dá tempo de fazer mais nada além disso, de estar com a família mesmo e trabalhar, mas é bom. Quando a gente faz o que gosta, a cabeça fica bem. E o Motoqueiro Vermelho, está sendo um barato fazer esta novela! Fazer uma novela que também é uma fábula, que acaba sendo uma grande fábula, essa coisa do Motoqueiro Vermelho. É um herói romântico, mesmo, como você falou, e esses heróis dão um dinamismo muito interessante para os personagens, que o diapasão deles é muito amplo. E ainda tem mais uma coisa. O personagem envereda para humor, também. Então é muito legal, porque em determinado momento, mesmo sendo o mesmo personagem, ele está ali num ambiente onde tem muito humor, depois vai para aventura, depois resvala no romance e tem os questionamentos éticos, também, que o personagem sofre, que tem uma boa dose de dramaturgia também. Eu estou adorando fazer este personagem.


Mais algum novo projeto vindo aí?

Já lendo os meus projetos, assim, nessa área, por enquanto não. O "Boca de Ouro" pode ser que continue. A produção tem conversado com alguns patrocinadores e o meu desejo é que ele continue por bastante tempo, que ele possa voltar, acho que tem uma possibilidade de voltar pra São Paulo, agora no segundo semestre. E eu gostaria que continuasse, porque é uma peça, eu que produzi, também, eu sei o quanto é difícil se produzir e muitas vezes a gente produz e a faz, a peça fica três meses em cartaz e acaba. Nós já conseguimos construir uma trajetória de sucesso, onde a crítica deu um aval muito positivo. Os veículos de informação também e o público, a peça é muito popular. Então quando isso acontece, quando reúne, quando agrada ao público e a crítica juntos, a peça foi eleita pelo "Estadão" a "Melhor Peça do Ano", recebeu cinco estrelas da crítica da "Folha de São Paulo", recebeu cinco estrelas da "Veja Rio", quando veio para o Rio. Nós éramos, naquele momento, as únicas peças cinco estrelas, tanto da "Veja", no Rio, quanto na "Folha", em São Paulo, enquanto estávamos fazendo. Isso mostra a qualidade do espetáculo e ele é popular, o público veio lotando o espetáculo. Então quando isso acontece, a gente quer que se perpetue e que a gente possa continuar, enquanto houver público e levar para outras capitais, outras cidades do país, têm muitos lugares que a peça pode ir ainda, então o meu desejo é que ela continue. Então, por enquanto, o projeto continua sendo esse. A novela vai até setembro e eu tenho outros projetos, pessoais. Estou construindo uma academia de "jiu-jitsu", junto com a minha mulher, a Kyra, que ela é da família Gracie. Tem um projeto muito interessante, a gente está construindo uma Academia Boutique, aqui no Rio de Janeiro, na Barra, vai se chamar "Grace Kore", tem no site, também, se você quiser entrar, também, pra entender o que é a proposta, ela é bem interessante. A gente quer voltar, fazer um retorno às origens do "jiu-jitsu". O "jiu-jitsu" também não só como luta, voltado pra competição, mas o "o jiu-jitsu" filosófico e como defesa pessoal. É um novo olhar sobre estilo de vida mesmo, essa é a proposta. Trabalhar com crianças, é uma metodologia que foi trabalhada exaustivamente junto com uma psicopedagoga. Nós vamos trabalhar com crianças a partir de 3 anos de idade. Vão ter aulas exclusivas para mulheres, também, mas também vai atender ao público masculino, adulto. É bem interessante e ali é corpo, mente e espírito. Então a gente vai ter um café, na frente da academia, só com produtos orgânicos, naturais, sucos prensados a frio, na hora, então é uma proposta que pensa holisticamente no estilo de vida do ser humano. É bem interessante. Então eu estou muito focado nisso, hoje, focado muito na novela, na peça e no projeto dessa academia, que deve inaugurar agora no finalzinho do mês de junho, entre o dia 20 e o dia 30.


Gostaria de convidar o leitor do site Arroz de Fyesta para a peça em Goiânia?

Bom, então é isso, eu aproveito para convidar os leitores do Arroz de Fyesta, principalmente, pelo que eu falei, que é o mais interessante do espetáculo, que é além de ser uma peça incrível, um clássico do Nelson Rodrigues, ela é popular, divertida, é gostosa de ver. Então ela é imperdível! Convido a todos! "Vambora"!


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