CREA-GO lança campanha Engenharia do Respeito
O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás (CREA-GO) apresentou oficialmente, nesta terça-feira (11/8), durante reunião do Sindicato da Indústria da Construção no Estado de Goiás (Sinduscon-GO), a campanha Engenharia do Respeito. Criada pelo Programa Mulher CREA-GO, a iniciativa pretende incorporar o enfrentamento à violência contra a mulher à rotina das empresas e dos canteiros de obras goianos.
Em sua primeira edição, a campanha traz como tema “Violência contra a mulher não entra neste canteiro”. O lançamento integra as mobilizações do Agosto Lilás e ocorre no ano em que a Lei Maria da Penha completa 20 anos, convocando profissionais, empresários e trabalhadores da construção civil a assumirem uma posição ativa contra a violência e atitudes de desrespeito muitas vezes naturalizadas no cotidiano.
Para o presidente do CREA-GO, engenheiro Lamartine Moreira, a campanha leva para as relações humanas um princípio indispensável à engenharia. “O respeito às normas que protegem vidas. Na engenharia, nenhuma obra segura prescinde de norma. Na vida em sociedade, nenhuma relação pode prescindir de respeito. O canteiro é um espaço de trabalho, convivência e formação de cultura. Por isso, o CREA-GO assume a responsabilidade de levar essa mensagem aos profissionais e trabalhadores, para que o respeito praticado na obra também esteja presente em casa e em todos os espaços”, afirmou Lamartine.
A Engenharia do Respeito foi concebida como uma campanha permanente do Programa Mulher CREA-GO. A cada ano, um novo tema deverá abordar o papel da engenharia e da construção civil na transformação de comportamentos e no enfrentamento à violência de gênero. Em 2026, as ações terão como foco a conscientização dentro dos canteiros e a compreensão de que o respeito às mulheres não termina quando acaba o turno de trabalho.
O projeto foi abraçado pelo presidente do Sinduscon-GO, engenheiro Hidebrair Henrique de Freitas, que destacou a necessidade de ampliar a conscientização justamente nos ambientes em que a presença masculina ainda é predominante. “Nos canteiros, embora tenhamos avançado, ainda precisamos ampliar a conscientização. O Sinduscon-GO abraçou o projeto e, junto com a nossa Comissão de Responsabilidade Social, dará andamento à implementação da campanha nas empresas e nas obras”, destacou Hidebrair.
A articulação das próximas etapas será conduzida pelo Sinduscon-GO em conjunto com sua Comissão de Responsabilidade Social, dirigida por Felipe Inácio Alvarenga. A proposta é mobilizar as empresas associadas e levar os materiais educativos aos canteiros, estimulando conversas sobre respeito, responsabilidade coletiva e enfrentamento de condutas como humilhações, ameaças, controle, agressões e piadas misóginas.
A campanha também contará com a persona Norma, criada para traduzir o tema em uma linguagem direta, acessível e próxima do cotidiano dos trabalhadores. O nome estabelece uma ponte com o universo técnico da engenharia: assim como as normas são indispensáveis para garantir a segurança das obras, o respeito é indispensável para garantir a segurança das mulheres.
Além de informar, a Engenharia do Respeito pretende provocar uma mudança de postura. A campanha orienta profissionais e trabalhadores a não se calarem diante de manifestações de violência ou desrespeito, inclusive quando elas surgem em comentários, piadas, relatos sobre companheiras ou tentativas de controlar e diminuir uma mulher.
“O enfrentamento à violência não é responsabilidade apenas das mulheres. Precisamos envolver os homens nessa transformação, porque uma cultura só muda quando cada pessoa entende que não pode se omitir. Quem presencia uma atitude de desrespeito também pode interromper esse ciclo”, completou Lamartine Moreira.
A campanha ainda pretende formalizar parcerias com a Polícia Civil e Militar do Estado de Goiás, bem como a Guarda Civil Metropolitana em Goiânia e também no interior, para que os profissionais da construção em todo o estado recebam orientações oficiais de campanhas governamentais, bem como esclarecimentos sobre os tipos de violências contra as mulheres e como combatê-las no dia a dia.
A Central de Atendimento à Mulher funciona gratuitamente, 24 horas por dia, pelo telefone 180. Em situações de emergência, a Polícia Militar deve ser acionada pelo 190.












